A Receita Federal divulgou que a arrecadação federal atingiu R$ 248 bilhões em junho de 2026, o maior valor nominal da série histórica. O resultado foi impulsionado pelo crescimento do lucro das empresas, pela expansão do emprego formal e por receitas extraordinárias relacionadas à regularização de passivos tributários.
O acumulado no primeiro semestre supera em 8,5% o mesmo período de 2025 em termos reais, o que reduz significativamente a pressão sobre o cumprimento da meta de resultado primário para o ano. O governo trabalha com meta de déficit zero para 2026.
O risco fiscal para o segundo semestre está no lado das despesas, não da receita. O crescimento real dos gastos obrigatórios — previdência, saúde, educação — continua acima do crescimento da arrecadação. O espaço fiscal para despesas discricionárias segue apertado.
Para o mercado de juros, a melhora fiscal reduz o prêmio de risco nos títulos longos. O Tesouro IPCA+ 2035 recuou cerca de 10 pontos-base após a divulgação dos dados de arrecadação, refletindo menor percepção de risco fiscal.